Liga por esta ordem
Um cão aparece através das pessoas a quem alguém o entrega. Por isso liga-se para onde os cães encontrados vão parar — e por esta ordem.
- SIAC — declara o desaparecimento. É o primeiro passo e fazes tu próprio, em siac.pt, sem sair de casa. A partir daí, quem ler o chip vê logo que o cão está a ser procurado.
- A câmara municipal, ou diretamente o CRO da tua zona. A recolha de animais errantes é competência da câmara municipal, não da junta de freguesia — é lá que o teu cão vai dar.
- GNR ou PSP. Nas cidades grandes é a PSP, fora delas a GNR. Se não souberes qual é a tua, liga 112 e o operador encaminha.
- Os veterinários à volta. Quem encontra um cão leva-o quase sempre ao CAMV mais próximo para lhe lerem o chip.
- 112 quando o cão está na estrada, ferido, ou a pôr o trânsito em perigo. Numa autoestrada nunca saias do carro nem tentes apanhá-lo: comunica e deixa a GNR fazer o resto.
O 112 não é uma linha para procurar cães perdidos. Para isso serve a lista acima.
O que dizer quando atenderem
Todas as chamadas são iguais e demoram um minuto. Tem isto preparado, porque à terceira a voz treme.
- Como é. Tamanho, cor, pelo, se leva coleira e de que cor. A raça diz depois — quem está do outro lado pode não a conhecer.
- O nome e se responde a ele vindo de um estranho.
- Onde e quando se perdeu. O sítio e a hora exatos, não «ali para os lados do pinhal».
- O número do chip. Lê-o todo, quinze dígitos.
- O teu número e se podem ligar de noite. Podem.
- O feitio. Se se deixa apanhar, se tem medo de homens, se vai ter com crianças. É isso que decide como se aproximam dele.
- Pede que tomem nota. O cão pode só dar entrada amanhã e quem estiver de serviço será outra pessoa.
No fim pergunta duas coisas: quando deves voltar a ligar e se podes enviar uma fotografia por e-mail ou WhatsApp. Uma foto no telemóvel de quem está de serviço vale mais do que uma descrição num caderno.
Como encontras o teu CRO
Os Centros de Recolha Oficial estão registados na DGAV e a lista nacional é pública. Vale a pena vê-la antes de precisares, por uma razão que apanha muita gente desprevenida.
- Nem todos os concelhos têm CRO próprio. Muitos partilham um CRO intermunicipal, que fica no concelho ao lado. Se for o teu caso, o cão apanhado na tua rua vai dar a outra cidade — e é para lá que tens de ligar.
- A lista da DGAV diz-te qual é o teu, mas não traz telefones. Vês nela se o teu concelho é municipal ou intermunicipal e onde fica o centro; o contacto está depois no site dessa câmara municipal.
- Levantar o cão do CRO tem custos. A lei condiciona a devolução ao pagamento da estadia. Não é para te assustar, é para não seres apanhado de surpresa ao balcão.
Declara o desaparecimento no SIAC — hoje
O chip não emite nada. Só começa a funcionar quando alguém apanha o cão e manda ler o número — e esse número tem de levar a algum lado.
- A declaração faz-se em siac.pt, na página de animal desaparecido, e não precisas sequer de conta. Pedem-te o número do transponder, o local e a data, uma fotografia e o teu contacto. A lei dá-te quinze dias para o fazer; fá-lo no primeiro.
- O teu anúncio fica na lista pública de animais perdidos do SIAC, que qualquer pessoa pode consultar.
- Os contactos mudas tu, sozinho. Registar o animal só o veterinário pode, mas o telemóvel e a morada atualizas online em minutos. É aqui que a maioria dos casos se perde: chip certo, número velho.
- Confirma que o cão está mesmo registado. Na primeira página do SIAC escreves o número do chip e vês logo se existe registo. Se ficares na dúvida sobre em nome de quem está, o SIAC atende ao telefone 212 697 878, dias úteis das 10:00 às 12:30 e das 14:00 às 18:00.
- Quem encontra o cão também usa o SIAC. Leva-o a um CAMV, o veterinário lê os quinze dígitos e o sistema mostra o contacto do titular. É por isso que o número desatualizado custa dias.
No dia seguinte e nos outros
- Volta a ligar, todos os dias. De manhã tomaram nota do teu desaparecimento; ao fim da tarde pode ter dado entrada um cão que alguém só viu depois do almoço. Os turnos mudam e os recados perdem-se.
- Alarga aos concelhos vizinhos. Ao fim de dois dias, um cão anda facilmente a dezenas de quilómetros de onde se perdeu.
- Põe o anúncio no encontra-me.org. É gratuito desde 2005, é nacional, avisa quem está perto do sítio onde o perdeste e gera-te o cartaz em PDF já pronto a imprimir.
- E no findmypet.omv.pt, o portal da Ordem dos Médicos Veterinários, que tem a PSP e o SEPNA como parceiros.
- Procura o grupo de Facebook do teu distrito, não um grupo nacional. Os distritais são mais pequenos e muito mais ativos.
- Liga à junta de freguesia, sobretudo numa freguesia pequena. Não procura cães, mas é onde o teu está licenciado e onde as pessoas se conhecem umas às outras.
- Urgências veterinárias à volta. Um cão atropelado ou exausto acaba lá, não no CRO. Não há linha nacional de urgência veterinária: vale a pena saberes de antemão qual é a casa aberta de noite perto de ti.
Onde não vale a pena ligar
- SEPNA. A linha SOS Ambiente da GNR serve para maus-tratos, abandono e animais selvagens. Para um cão que fugiu, o destinatário são os serviços municipais ou a polícia.
- A lista de perdidos e achados da DGAV. Existe, mas o último ficheiro é de 2019. Não é ferramenta, é arquivo.
- A concessionária da autoestrada. Liga 112 — a única entidade que pode parar o trânsito numa autoestrada é a GNR, e é ela que chama quem recolhe o animal.
Encontraste um cão? Ligas para os mesmos sítios
É o outro lado da mesma situação, e aqui a lei é clara.
- Comunica aos serviços municipais ou à polícia, para que o recolham; ou entrega-o tu mesmo, se já o apanhaste.
- Antes de telefonares, espera dez ou vinte minutos no sítio. Muitas vezes o dono aparece a correr atrás e o resto deixa de ser preciso.
- Manda ler o chip num CAMV. É rápido e é o que resolve a maior parte dos casos no próprio dia.
- O cão não vai para adoção de um dia para o outro. A lei dá ao dono quinze dias a contar da recolha para o reclamar. Passado esse prazo, presume-se abandonado, é esterilizado e encaminhado para adoção — e quem apareça depois já não tem direito a nada. A contagem começa no dia em que o cão foi apanhado, não no dia em que o dono dá pela falta.
- Uma coisa que acalma: desde 2016 é proibido abater animais nos CRO por excesso de lotação ou por falta de meios. Estar mais tempo lá dentro não põe a vida do cão em risco.
O que deves guardar hoje no telemóvel
É este o sentido do artigo. Procurar contactos com o cão a correr na estrada é o pior momento possível.
- O número do chip como nota no telemóvel e uma fotografia do boletim.
- O CRO do teu concelho — e, se for intermunicipal, o do concelho onde ele fica.
- O posto da GNR ou da PSP da tua zona.
- O teu veterinário e a urgência veterinária aberta de noite mais perto.
- Duas fotografias do cão, de lado e de frente, com luz, corpo inteiro. Não as em que está engraçado — as em que se reconhece.
E mais uma coisa, que leva um minuto: entra no SIAC e confirma o número de telefone que lá está. Os CRO dizem o mesmo depois de cada passagem de ano — o cão tem chip, mas o registo não leva a ninguém.
Como é com a Tifik
Esta lista continua a valer com uma coleira GPS. Muda só de quanto dela precisas — e se ligas para encontrar o cão, ou porque já sabes onde ele está.
- Começas num ponto no mapa, não no telemóvel. Passas para seguimento em direto e vais atrás dele. Só telefonas quando o cão está do outro lado de um muro ou de um rio.
- Ligas para o CRO com uma posição, não com uma descrição. «Às nove e meia estava junto à pedreira» é informação com que se trabalha.
- O código QR na carcaça é para quem o encontra. Fotografa-o com o telemóvel e abre uma página com o nome do cão e um botão «encontrei-o» — sem leitor de chip e sem instalar nada. Tu recebes a mensagem e falam através de nós, sem que o teu número apareça.
- A coleira não substitui o chip nem substitui esta lista. O chip e o SIAC respondem à pergunta de quem é este cão. A coleira responde a onde está o cão — e essa é a primeira que fazemos.